Especialistas ouvidos após o temporal no Rio de Janeiro afirmam que tornar a rede elétrica mais resistente a ventos fortes e outros eventos climáticos é possível, mas exige investimentos altos das concessionárias.
O professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, disse que medidas como fiação subterrânea, poda de árvores no momento certo e manutenção constante podem reduzir a vulnerabilidade do sistema. Ele observou que a rede aérea, sustentada por postes, fica mais exposta a quedas de árvores e intempéries, enquanto a subterrânea enfrenta menos contratempos. Watanabe destacou que a instalação e a manutenção desse tipo de estrutura têm custo maior, que cabe às concessionárias.
Já o especialista em desastres Leandro Torres, professor da Escola Politécnica da UFRJ, avaliou que a substituição total da rede aérea por subterrânea não é a única resposta para o risco de falta de energia. Segundo ele, a decisão envolve também aspectos estéticos e urbanísticos, e a implantação subterrânea pode ser economicamente inviável. Torres defendeu que, diante de episódios como o que atingiu o Rio, o mais importante é a adoção de planos de contingência, com mapeamento de ameaças, análise de riscos e preparação para diferentes cenários.
Torres ainda afirmou que instituições de diferentes áreas, inclusive concessionárias de energia, precisam se organizar para enfrentar eventos climáticos extremos. Isso exige recursos previamente alocados, equipes treinadas e planejamento de comunicação com os clientes, sem esperar que um episódio negativo aconteça para agir.
Enquanto os especialistas apontavam soluções de longo prazo, moradores de diferentes bairros do Rio ainda lidavam com os efeitos da interrupção no fornecimento. Watanabe continuava sem energia em sua casa, no Grajaú, na Zona Norte, na tarde de quinta-feira (30). A empresária Ana Paula Brito, de Vila Isabel, disse estar sem luz desde quarta-feira, às 17h, sem previsão de retorno informada pela concessionária. Moradores de Santa Teresa também relataram falta de energia e de internet residencial.
A Light e a Enel informaram desde o vendaval que estavam com equipes mobilizadas para normalizar o serviço, mas, nesta quinta-feira, milhares de residências e estabelecimentos ainda permaneciam sem energia no estado.
