O governo argentino informou que o Brasil solicitou nesta terça-feira o retorno do embaixador argentino para Buenos Aires. A medida ocorre em meio à crise diplomática provocada por declarações do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva.
O Executivo brasileiro também comunicou sua decisão de reduzir “o nível de representação diplomática bilateral ao de Encarregados de Negócios”, publicou a chancelaria argentina no X.
A escalada de tensão sem precedentes entre os dois países ocorre em um contexto de ofensas repetidas dirigidas pelo ultraliberal Javier Milei a Lula. As declarações levaram à convocação do embaixador brasileiro na Argentina para consultas na semana passada.
Segundo o comunicado divulgado pela chancelaria argentina, o embaixador Guillermo Raimondi foi convocado na tarde desta terça-feira pelo ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira. Vieira comunicou a decisão do governo de reduzir o nível de representação diplomática bilateral e solicitar o retorno do embaixador para a Argentina.
O governo argentino “toma nota da decisão adotada unilateralmente” pelo Brasil e “lamenta sua decisão de continuar se isolando do restante da região por razões puramente ideológicas”. A nota da chancelaria argentina ressaltou: “Nunca respondemos a uma divergência política com uma medida institucional.”
A tensão entre os dois países aumenta dois dias após novos ataques de Milei contra Lula. Em entrevista a um canal de TV no último domingo, o presidente argentino chamou o colega brasileiro de “ladrão” e “corrupto”. Os comentários semelhantes já haviam desencadeado o início de uma crise diplomática na semana anterior.
No fim de julho, Milei chamou Lula de “presidiário” e “ladrão” durante um evento político em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
