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Reforma tributária: empresas se adaptam, mas desafios persistem

Os primeiros quatro meses de adaptação à reforma tributária mostram que as empresas mudaram de postura. Em vez de apenas monitorar as novas regras, elas agora focam em ações mais práticas. No entanto, ainda existem desafios a serem superados.

Nem todos os contribuintes estão conseguindo cumprir as exigências de destaque dos novos tributos nas notas fiscais. Além disso, alguns municípios estão atrasados na disponibilização dos documentos no novo formato.

Em entrevista ao blog, Luciano Idésio, vice-presidente Latam para o segmento corporativo da Thomson Reuters, e Edinilson Apolinário, diretor de tributos e conteúdo e líder de reforma tributária da Thomson Reuters, falaram sobre a adaptação das empresas e os desafios da reforma.

Adaptação das empresas

Segundo Luciano Idésio, janeiro e fevereiro foram meses de adaptação aos novos documentos eletrônicos. As empresas aprenderam o novo desenho do sistema. A Thomson Reuters trabalhou próxima aos clientes para entender os principais desafios, especialmente nos layouts dos documentos municipais, a NFS-e. A empresa já entregou o primeiro módulo, de conciliação, e a contabilização será entregue em maio.

Edinilson Apolinário afirmou que um “esquadrão da reforma” montado no final do ano ajudou as empresas a navegarem bem no início de 2026. As dúvidas foram muitas, mas as empresas se saíram bem com documentos fiscais de mercadorias, conhecimento de transporte e NFC de varejo, que já eram mais maduros. O problema maior está nos municípios, muitos dos quais não definiram se adotarão o modelo nacional de nota fiscal ou manterão o local. Alguns deixaram a versão antiga e a nova funcionando ao mesmo tempo, o que evitou o travamento da emissão.

Novos módulos e desafios

Idésio explicou que a empresa trabalha para conectar toda a jornada tributária. O motor de cálculo determina o tributo, que depois vai para os documentos fiscais eletrônicos. A reforma criou a necessidade de um módulo de conciliação, que permite auditar o próprio documento fiscal. Isso evita erros e facilita o trabalho do gestor fiscal e auditorias futuras.

Edinilson Apolinário destacou que tudo agora acontece em tempo real. A empresa não pode apenas receber uma pré-apuração do fisco; precisa criticá-la, olhando suas próprias transações nos sistemas internos para aceitar ou não a informação. Esse processo deve ser feito diariamente.

Sobre a separação entre o sistema federal da CBS e o sistema do IBS, Apolinário disse que o piloto da Receita Federal começou em julho de 2025, e a apuração assistida é calcada na visão da CBS. O piloto do IBS começou em janeiro. A expectativa é que não haja diferença estrutural entre os sistemas, e a solução preparada pela Thomson Reuters deve oferecer a mesma tela para o profissional lidar com ambos.

Cadeia de fornecimento

Questionados sobre a preocupação com parceiros menos preparados, Idésio afirmaram que criaram uma solução para trabalhar a cadeia de fornecimento de grandes empresas. A proposta é replicar a solução para clientes que enfrentam dificuldades na cadeia, viabilizando o processo economicamente.

Momento das empresas

Para Edinilson, o momento atual marca uma mudança de chave. As empresas deixaram de monitorar regras e passaram para uma atuação prática, operacional, ligada a sistemas e processos. Quem já se preparou busca agora soluções fiscais para navegar no novo modelo de apuração em tempo real. O segundo ponto estratégico é avaliar o impacto em pricing e contratos. Contratos de médio e longo prazo que vencem agora já precisam ser renovados com o novo modelo tributário.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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