A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, criticou a abertura de um novo inquérito autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (30). O advogado criminal Guilherme Suguimori Santos afirmou que a medida pode ter interesse político e classificou a investigação como uma “pescaria probatória”.
O inquérito foi solicitado pela Polícia Federal na última sexta-feira (24) para apurar possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização para a comercialização de cannabis medicinal. As investigações apontam conexões com o Ministério da Saúde e o gabinete da Presidência.
Em nota, o advogado de Lulinha disse que “se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições”. Ele também declarou que “investigação não é exercício de tentativa e erro” e que a medida “configura o que chamamos de pescaria probatória, que é ilegal e escancararia o interesse político por trás dessa movimentação peculiar”.
Lulinha atua no ramo de cannabis medicinal em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O pedido da PF também menciona contatos entre os alvos e servidores, incluindo integrantes do gabinete de Lula. Uma das linhas de investigação sugere que Lulinha teria atuado com Roberta para beneficiar a empresa World Cannabis, ligada a Careca.
A defesa do filho do presidente afirmou que não tem acesso aos autos do inquérito e que não pode avaliar sua legalidade. “Não vi essa notícia nos autos, não vi documentos, não vi fundamentos”, disse Suguimori Santos. Ele também questionou a competência do STF para analisar o caso e afirmou que a nova investigação, alheia à Operação Sem Desconto, demonstraria que os investigadores falharam em encontrar ligações entre Fábio Luís e as fraudes no INSS.
O advogado Bruno Salles, que defende Roberta Luchsinger, disse não ter informações sobre o novo inquérito e afirmou que os fatos já são objeto de investigações em andamento. “Não haveria razão para a instauração de um novo inquérito policial”, declarou. Ele também classificou a medida como uma tentativa de explorar politicamente o caso às vésperas do processo eleitoral.
A defesa de Careca do INSS afirmou não ter conhecimento sobre o pedido. Ele está preso desde setembro de 2025 e, em depoimento à CPI do INSS, negou envolvimento em práticas ilícitas.
Os investigadores da PF pediram autorização para compartilhar provas colhidas na Operação Sem Desconto, que investiga desvios no INSS. O pedido foi enviado ao STF durante o recesso do Judiciário e analisado por Alexandre de Moraes, que solicitou parecer da Procuradoria-Geral da República. O órgão opinou que os fatos revelaram crime sem relação com a operação original e pediu o sorteio de um novo relator, que resultou em André Mendonça.
