Aluguel por temporada em Foz gira R$ 97 milhões ao ano
Crescimento do short stay atrai construtoras para a cidade, mas reduz oferta de imóveis para moradia fixa e pressiona aluguéis
O aluguel de imóveis por temporada movimenta cerca de R$ 97 milhões por ano em Foz do Iguaçu, segundo estimativa da plataforma de inteligência de mercado Airbtics divulgada pelo 100fronteiras. A cidade conta hoje com aproximadamente 2,5 mil imóveis anunciados em plataformas de hospedagem de curta estadia, como o Airbnb.
O crescimento desse tipo de locação, conhecido como short stay, vem provocando dois efeitos que caminham em direções opostas na cidade. De um lado, o setor da construção civil aposta na demanda turística e amplia empreendimentos voltados a hospedagem. De outro, moradores locais enfrentam mais dificuldade para encontrar imóveis disponíveis para aluguel convencional, já que parte do estoque residencial migrou para o mercado turístico.
O valor de R$ 97 milhões é uma projeção de mercado, e não um número oficial certificado por órgão público, aponta o levantamento. A conta também não inclui o dinheiro gasto por turistas em restaurantes, comércio local, transporte e passeios, o que sugere que o impacto econômico real do turismo na cidade seja ainda maior do que o valor estimado apenas para hospedagem.
Por que moradores de Foz sentem o aperto no aluguel
Nos últimos três anos, segundo o levantamento, milhares de apartamentos e casas que antes eram destinados à locação residencial tradicional passaram a operar como hospedagem de curta estadia. A explicação apontada é econômica: alugar por diária costuma render mais do que alugar por contrato mensal, o que motivou proprietários a mudar o uso do imóvel.
Esse deslocamento reduz a oferta de imóveis disponíveis para quem precisa de moradia fixa na cidade, e a escassez tende a pressionar os preços para cima. É o mesmo fenômeno observado em outras cidades turísticas do país, em que a expansão do aluguel por temporada disputa espaço com o mercado residencial tradicional.
Construção civil aposta em apartamentos compactos
Enquanto famílias relatam dificuldade para fechar contrato de aluguel, o setor da construção civil vive movimento contrário. Dados da Prefeitura de Foz do Iguaçu mostram que, entre março e junho deste ano, foram emitidos 567 alvarás de construção na cidade, aumento superior a 20% em comparação ao mesmo período de 2025.
Atualmente a cidade tem mais de 60 obras de prédios em andamento, com destaque para apartamentos compactos, de até 50 metros quadrados, voltados justamente ao público que busca imóvel para hospedagem de curta estadia ou moradia individual. A região central concentra parte relevante desses lançamentos, mas bairros com forte presença estudantil, como Vila A e Cidade Nova, além de áreas próximas às principais atrações turísticas, também têm atraído novos empreendimentos.
Quem procura casa para alugar em Foz precisa se planejar
Para quem está em busca de imóvel para morar na cidade, o cenário indica que a concorrência com o mercado de temporada deve continuar apertada, especialmente em bairros próximos ao centro e às áreas turísticas. Uma alternativa prática é ampliar a busca para regiões mais afastadas dos pontos turísticos, onde a disputa por imóveis costuma ser menor e os valores tendem a ser mais acessíveis.
Julho aparece como um dos meses de maior movimento para o aluguel por temporada na cidade, com procura concentrada em acomodações pequenas, bem localizadas e privativas. O interesse de brasileiros por Foz do Iguaçu como destino de viagem cresceu 42% neste ano em relação ao mesmo período de 2025, conforme levantamento do Booking.com. No país como um todo, a movimentação financeira ligada ao Airbnb saltou de R$ 99,8 bilhões em 2024 para mais de R$ 113 bilhões em 2025.
O que observar daqui para frente
O ritmo de novas construções em Foz do Iguaçu sugere que a oferta de imóveis compactos deve aumentar nos próximos meses, o que pode aliviar parte da pressão sobre preços, tanto para quem busca hospedagem quanto para quem procura moradia fixa. Ainda não há confirmação sobre quanto desse novo estoque será direcionado ao aluguel residencial tradicional ou ao mercado de temporada.
Enquanto isso, quem depende de aluguel convencional na cidade tende a encontrar menos opções em bairros centrais e turísticos, e vale considerar imóveis em regiões mais afastadas, negociar contratos com antecedência e acompanhar o avanço das obras em andamento, que devem entrar no mercado ao longo dos próximos meses.
Fontes consultadas
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