O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a afirmar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisa apresentar explicações sobre o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Tarcísio chamou o caso de “escândalo” que “agride a sociedade como um todo”, expressões mais contundentes do que havia usado na primeira vez que comentou a ligação de seu aliado com o caso.
“Acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, disse Tarcísio nesta terça-feira (26), durante entrega de obras de saneamento básico em Perus, na zona norte de São Paulo.
Há duas semanas, quando as ligações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foram reveladas pelo site The Intercept Brasil, o governador havia dito que o áudio preocupava e pedido explicações do aliado.
“Acho que ele precisa continuar dando esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo, porque é fundamental que todo mundo tenha segurança na relação, no que aconteceu”, afirmou Tarcísio no dia 14, durante entrega de apartamentos em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na ocasião, ele elogiou Flávio por apresentar respostas de pronto.
No começo do ano, após o senador ser indicado por Bolsonaro como representante do bolsonarismo para disputar a Presidência da República contra Lula, o governador se reuniu com Flávio e afirmou que coordenaria sua campanha em São Paulo.
Na entrevista desta terça, Tarcísio disse que não tratou com o senador sobre uma possível participação dele na Marcha para Jesus, promovida por igrejas evangélicas e marcada para o próximo dia 4. “Eu não sei, tem que perguntar para ele”, afirmou o governador ao ser questionado sobre a presença de Flávio no evento.
Como a Folha mostrou, bolsonaristas de São Paulo identificaram um distanciamento de Tarcísio em relação a Flávio após o início da crise e, nos bastidores, relataram incômodo com a postura. No fim de semana seguinte à divulgação dos áudios, Tarcísio e Flávio tinham duas agendas juntos no interior do estado, uma na sexta-feira (15) e outra no sábado (16). Tarcísio afirmou que estava com gripe e não compareceu ao segundo encontro.
Questionado nesta terça sobre a ausência de agendas públicas com o senador, que esteve na capital paulista na semana passada, o governador afirmou que ainda não está em campanha. “Tenho uma agenda de governador. Veja, estou governando o estado. Quando vou pensar em eleição? No período da campanha”, disse.
Tarcísio falou com a imprensa antes da confirmação de que Flávio foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que ocorreu no fim da tarde desta terça, no horário de Brasília. Questionado se o encontro poderia ajudar a imagem do senador, o governador respondeu: “Ele é pré-candidato à Presidência da República e esse é o cargo mais importante do Brasil. Ou seja, ele está querendo assumir uma posição de liderança nacional. E aí é natural que ele converse com outros chefes de Estado, outros líderes internacionais, mundiais, e obviamente falar com o presidente dos Estados Unidos é muito saudável”.
