O tenista francês Moïse Kouame, de 17 anos, enfrenta Daniel Vallejo nesta quinta-feira pelo segundo turno de Roland-Garros. Desde os primeiros passos nas quadras do Val-d’Oise, o jovem mostrou aptidões raras, especialmente a capacidade de se superar quando a pressão aumenta.
O conselheiro esportivo territorial François Rouhier registrou pela primeira vez o nome de Kouame em 22 de janeiro de 2014. “Ele tinha qualidades de destreza notáveis e amava o tênis, não por razões erradas, como querer agradar os pais”, disse Rouhier, que acompanhou o garoto no comitê departamental de Cergy por três anos.
Nascido em Sarcelles em 2009, Kouame treinava com jogadores mais velhos. “Treinei muitos jovens com alto potencial, Moïse estava entre os que mais tinham”, afirmou Erwan Rebuffé, seu treinador por duas temporadas no Tennis Club Sarcellois. “Ele era muito jovem, mas já dava para sentir que poderia chegar ao top 100 mundial.”
Rebuffé destacou a presença da mãe, Suzanne, “muito presente e envolvida” no projeto. O treinador lembra que, quando Kouame perdia um jogo, ficava com raiva, mas minutos depois já voltava a jogar contra a parede. “Uma mentalidade incrível.”
Uma característica marcante do jogador é ser chamado de “matcheur” pelos formadores. “Não era mais o mesmo jogador quando havia contagem de pontos”, confirmou Bruce Liaud, que trabalhou com Kouame no Pôle France de Poitiers entre 2021 e 2022. “Ele já tinha essa recusa de perder. Aumentava o nível, a rigidez de posicionamento e a concentração.”
“Quanto mais quente, melhor ele joga”, resumiu Rebuffé. “Ele era capaz de se transcender no money-time, e isso já aos 7 anos.” Quando o treinador oferecia recompensa ao vencedor ou pontos bônus, o olhar de Kouame mudava. “De repente, corria três vezes mais rápido e acertava os golpes certos no momento certo.”
Olivier Delaitre, que acompanhou Kouame na All In Academy entre 2020 e 2021, comparou o jovem a Gilles Simon. “Assim que chegava ao jogo, ele tinha algo a mais.” Delaitre lembrou que Kouame era menor que os parceiros de treino, mas encontrava jeito de vencer, mesmo que isso significasse não seguir as instruções do técnico.
“Ele queria vencer, não desenvolver algo que acabara de treinar”, disse o ex-33º do mundo. “Mesmo no treino, queria ganhar tudo. Quando decidia não cometer erros, não cometia erros.”
