Riacho Notícias»Notícias»Incêndio em Cap Ferret: milhares fogem por terra e mar

Incêndio em Cap Ferret: milhares fogem por terra e mar

Incêndio em Cap Ferret: milhares fogem por terra e mar

A turística península de Cap Ferret, no sudoeste da França, foi declarada zona de catástrofe após um incêndio florestal forçar a retirada de milhares de pessoas. O local é um destino de férias apreciado por artistas como Marion Cotillard e Jean Dujardin.

“É um desastre, é horrível”, disse Jean Gonçalves à agência AFP na manhã desta sexta-feira (24). O homem de 54 anos, morador de Lège-Cap-Ferret há três décadas, fugiu de casa após ver a residência de madeira do vizinho pegar fogo.

As ruas ficaram desertas, com persianas fechadas e casas trancadas. As chamas expulsaram moradores e turistas durante o pico da temporada de verão. “Não há viva alma”, afirmou Cécile Maumy no terminal de balsas de Cap Ferret. “Parece a época da covid. É impressionante.”

A França enfrentou três ondas de calor extremo desde maio, ligadas às mudanças climáticas. Elas causaram milhares de mortes, secaram rios e alimentaram incêndios florestais. O fogo começou na quarta-feira no povoado de Saumos, próximo aos vinhedos de Médoc, e avançou rapidamente por pinheirais até a península.

Cap Ferret, na costa atlântica, é um destino tradicional para famílias abastadas, conhecido por dunas e casas de ostras. Celebridades frequentam o local, preferindo seu charme discreto ao da Riviera francesa. Moradores descrevem cenas de “zona de guerra”, e a prefeita regional, Sophie Brocas, alertou para um “mega-incêndio XXL, imprevisível e voraz”.

Não houve vítimas fatais, mas mais de 50 residências e um camping foram destruídos. As autoridades ordenaram a evacuação da península. A maioria saiu de carro por uma única rodovia, enquanto centenas foram levadas de barco, em um plano inédito criado após os incêndios de 2022.

“Tudo foi gerenciado sem problemas”, disse David Lafforgue, comerciante local e dirigente político. “As malas estavam prontas e as pessoas permaneceram calmas.” No entanto, ele teme o impacto econômico. “De 20 de julho a 20 de agosto é o pico da temporada. Não sabemos se os trabalhadores temporários ou clientes vão voltar.”

Alguns evacuados foram levados para Andernos. Maria Lalanne, de 90 anos, moradora de Lège-Cap-Ferret, estava em choque. Ela deixou o aparelho auditivo e os óculos em casa. “Tenho cardiopatia, problemas de pressão e visão. Não sei o que aconteceu com minha casa”, disse.

Em Andernos, as autoridades se preparam para evacuar a própria cidade. “Recebemos pessoas evacuadas e agora nos ordenaram esvaziar os centros de acolhida”, afirmou o vice-prefeito Jean-François Garric. Julie Boisvert estava em Le Porge com a família quando se sentiu “cercada” pelo fogo. “Os gendarmes bateram em todas as portas”, contou. Ela saiu de carro com os dois filhos, de cinco e dois anos. “Só nos deram dois minutos e verificaram se ninguém ficou dentro de casa.”

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →