Após um aumento de 12,6 pontos em janeiro, o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) decresceu 11,3 pontos em fevereiro, registrando 105,8 pontos, informou na sexta-feira (27) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo Anna Carolina Gouveia, economista do Instituto Brasileiro de Economia da fundação (FGV Ibre), essa foi a queda mais significativa desde setembro de 2020, quando houve um decréscimo de 14,5 pontos.
De acordo com a pesquisadora, tanto a alta expressiva de janeiro quanto a queda significativa deste mês foram influenciadas pelo noticiário, que noticiou várias turbulências no cenário internacional. Gouveia afirma que, a partir dessa perspectiva, é possível que o indicador continue a “flutuar num patamar moderadamente elevado de incerteza” nos próximos meses, em razão de incertezas em campos político, bélico e econômico. No entanto, ela também reconhece a possibilidade de surgimento de incertezas na economia doméstica nos próximos meses, especialmente devido às eleições.
Em janeiro, o indicador aumentou significativamente devido a acontecimentos importantes em escala global, como a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e a volta das questões tarifárias envolvendo a China. Estas questões foram amplamente discutidas nos noticiários econômico e político, impactando no IIE-Br de janeiro.
No entanto, em fevereiro, a situação dessas notícias teve uma certa “acomodação” e isso contribuiu para a queda expressiva do indicador. A influência deste noticiário mais “suavizado” pode ser percebida na evolução de dois componentes usados para o cálculo do indicador: o componente de Mídia do IIE-Br caiu 12,8 pontos, para 109,7 pontos; e o componente de Expectativas, que mede a dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, decresceu 0,8 ponto no mês, atingindo 87,6 pontos.
Questionada sobre as perspectivas futuras do indicador, Gouveia admite que novos acontecimentos no cenário internacional podem levar a novos aumentos. Ela menciona o conflito recente entre Irã e Estados Unidos e os ataques bélicos entre Paquistão e Afeganistão como eventos que podem influenciar o IIE-Br nos próximos meses.
“Podemos identificar que as incertezas globais estão surgindo de todas as direções. Essas não são questões que serão resolvidas rapidamente. Caso tais questões tumultuadas continuem ocorrendo neste ano, o indicador será impactado nos próximos meses”, finaliza.
